AUDIÊNCIA PÚBLICA- RAPOSOS MG.
CRIAÇÃO DO PARQUE NACIONAL SERRA DA GANDARELA - INSTITUTO CHICO MENDES
Eu João Oliveira Gomes, nascido e criado em Raposos, autor do livro e do vídeo
“Memórias do Povo de Raposos”, atualmente escrevi também “Histórias do alto Rio das Velhas,”
Obra ainda não publicada.
Por ocasião da publicação da 1ª obra, percorri por meses a pé quase 100 quilômetros, filmando e fotografando a periferia de Raposos, por isso conheço bem toda a região que vai desde Sabará até Rio Acima!
Em 1867, o inglês Richard Burton, percorreu o Rio das Velhas de Sabará ao oceano Atlântico, e o trajeto que mais o impressionou foi próximo a Sabará, relatado no livro “Viagem de Canoa de Sabará ao Oceano Atlântico”.
Em 1711, o padre Antonil, escreveu o livro “Cultura e Opulência do Brasil por suas Drogas e Minas, livro este ficou exposto à venda apenas 14 dias nas livrarias de Lisboa em Portugal, sendo logo confiscados e queimados todos os exemplares por ordem da coroa portuguesa, porque ele revelava a localização exata das minas e do ouro encontrado no Rio das Velhas.
Por si só e pela sua importância histórica, o Rio das Velhas deve e tem que ser preservado, mas o ouro hoje é outro, 70% de toda a água potável consumida em B. Horizonte e em toda a região metropolitana vem deste rio , e uma grande parte desta água, nasce justamente na Serra da Gandarela, entre Raposos e Rio Acima, vindo cair pela margem direita do rio, na E.T.A. (Estação de Tratamento de Água) no Bairro Bela Fama em Nova Lima. O Sistema de capação de água no Rio das Velhas produz atualmente, aproximadamente 6.000 l/s de água tratada, enquanto os outros sistemas que estão mais longe e também abastecem B. Horizonte, produzem 4.100 l/s o Rio Manso e 3.200 o Sistema Serra Azul.
Raposos já teve amargas experiências com outra mineração que atuou no seu município por quase 200 anos, só deixando aos seus habitantes uma herança maldita de buracos, viúvas e silicose.
Há pouco tempo, sem querer remexer muito no passado, na região de São Sebastião das Águas claras, conhecido popularmente por nós como Macacos, no município de Nova Lima, uma barragem de rejeitos se rompeu, quase aniquilando com o turismo no povoado os dejetos vieram a contaminar nosso Rio das Velhas.
Amigos e conterrâneos, antes da M.B.R. construir a barragem que existe acima da Pedrinha no Ribeirão da Prata levando água para “lavar minério”, na época dos trens subúrbios, Raposos recebia mais de 20.000 banhistas/dia, nos finais de semana e feriados, conforme comprovamos, contando passagens na estação central para matéria de Jornalzinhos que circulavam na cidade. Os banhistas compravam tudo que haviam nos restaurantes, bares e sorveterias da cidade, e muitos Raposenses criaram suas famílias vendendo sanduíches e bebidas em suas barraquinhas improvisadas no Ribeirão da Prata. Quero lembrar ainda que na lei Orgânica Municipal, promulgada em 18 de março de 1990, em seu artigo 211, estão incluídas como área de preservação a Igreja Matriz de N.S. da Conceição, a Capela de N. S. do Rosário com bens tombados e criaram as reservas ecológicas nas nascentes, principalmente a do Ribeirão da Prata e do Córrego Olaria.
Hoje vemos com tristeza uma mineradora querer construir uma gigantesca barragem de rejeitos exatamente a montante deste ribeirão, e de outras nascentes que caem no Rio das Velhas, algumas estão neste vídeo e neste livro (mostrar os dois) que serão repassados aos senhores diretores do Instituto Chico Mendes, que poderão ver por estas imagens, um pouco do muito que certamente será destruído, com a construção desta barragem. Além de várias nascentes desaparecerem, as que não sumirem certamente ficarão contaminadas, perderemos os sítios arqueológicos, as casas de pedras e currais feitos por escravos no período colonial, tudo irá por água abaixo, matando para sempre a vocação de Raposos que é a de cidade Balneário!
Senhores diretores do Instituto Chico Mendes: Promotores, autoridades municipais estaduais e Federais, só há uma solução para se evitar este desastre que é a construção desta Mina Apolo, é a criação de uma área de preservação em nossa região. Com a criação do PARQUE NACIONAL DA SERRA DA GANDARELA, não só Raposos, mas todos os outros municípios como Caeté, Rio Acima, Santa Bárbara, Barão de Cocais, Nova Lima, Itabirito e Belo Horizonte serão beneficiados com a exploração racional das águas e do ecoturismo. Preservar nossa fauna e flora e ainda as águas , é uma obrigação de nossas consciências para com nossos filhos e netos, o que diremos a eles quando souberem que está faltando água em nossas casas, porque deixamos uma mineração acabar com as nascentes do Rio das Velhas e não fizemos nada para evitar este grave acontecimento, a história nos cobrará esta fatura por nossa omissão e com certeza, não será fácil pagar esta conta.
Se vocês não puderem fazer nada pela região de Raposos, vamos pelo menos seguir o exemplo do ilustre deputado Tarcísio Delgado no seu livro “Caminhos e Atalhos para o poder que disse um momento de indignação: “Que não se faça nada por Raposos, que não façam escolas, que não construam pontes, que não façam estadas, que não dêem empregos, mas que também não tirem as águas,
VOCÊS NÃO TÊM ESTE DIREITO DE LEVAR A ÁGUA. ...
João Oliveira Gomes
Autor de Memórias do Povo de Raposos.
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