Águas do Gandarela

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Itabira e a australiana Newman vivem realidades diferentes

Itabira e a australiana Newman vivem realidades diferentes

Em determinados períodos do ano, a poeira encobre Itabira

Brasil e Austrália são os dois maiores produtores mundiais de minério de ferro. Embora o preço da commodity seja determinado pelo mercado internacional e exista um grande importador do produto no mundo – a China -, a atividade nos países é encarada de forma diferente.

A comparação, entre as cidades dos dois países, que têm na extração mineral sua principal atividade econômica, deixa bem clara essa diferença.

Em Itabira, na região metropolitana de Belo Horizonte, a exploração mineral começou em 1942, ano em que nascia na cidade a então Companhia Vale do Rio Doce, por decreto do presidente da República na época, Getúlio Vargas. Hoje, a Vale disputa com a australiana BHP Billiton o título de maior mineradora do mundo. Segundo a Prefeitura de Itabira, foram extraídas das montanhas que circundam a cidade, entre 1942 e 2005, 1,6 bilhão de toneladas de minério de ferro. Anualmente, a produção na região ultrapassa 40 milhões de toneladas.

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As minas da região australiana de Pilbara ficam longe da cidade


Economicamente, o minério de ferro sustenta a cidade. Segundo o prefeito João Izael Querino Coelho, 70% da arrecadação do município advém diretamente do extração de minério de ferro. Em 2010, o município arrecadou R$ 60 milhões apenas com o pagamento da Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais (Cfem).

No Brasil, está em discussão no Congresso Nacional uma revisão da Cfem para o minério de ferro dos atuais 2% do faturamento líquido das mineradoras para 4% do faturamento bruto.

Nesse aspecto, a Austrália vive realidade semelhante. O governo do Estado de Western Australia, onde fica a região de Pilbara, área que concentra 17% da produção mineral do mundo, e onde está a pequena cidade de Newman, tem enfrentado a ira das mineradoras após a revisão neste mês do royalty de 5,6% para 7,5% do faturamento bruto – quase o dobro do índice pretendido pelo Brasil.

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Com uma produção quase sete vezes menor, Newman, onde atua a BHP Billiton, arrecada de royalty 25% mais que Itabira. Em 2010, foram arrecadados R$ 75 milhões com o tributo compensatório. Em Newman, a mineração começou em 1968. Lá, as minas ficam a 6 km do perímetro urbano – ao contrário de Itabira – e há um intenso planejamento para o crescimento da cidade. Está em execução um projeto de US$ 800 milhões destinado a dotar a cidade de infraestrutura para dobrar a população até 2018.

O Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) da cidade, de 11 mil habitantes, é de 0,93, enquanto em Itabira, cujo índice está entre os maiores de Minas, é de 0,79. Nessa classificação, quanto mais próximo de 1,0, melhor a qualidade de vida da população.

O plano de desenvolvimento de Newman também prevê um planejamento para diversificar a economia da cidade. Em Itabira, isso não ocorre.

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GESTÃO
Modelo valoriza fornecedores
Remuneração de operários do setor é quase oito vezes maior na Austrália

Na avaliação do gerente executivo e presidente do comitê gestor do Polo de Excelência Mineral e Metalúrgica, Renato Ciminelli, a grande diferença entre os modelos australiano e brasileiro de exploração mineral é a valorização da cadeia de fornecedores. Ele explica que agregar valor ao minério de ferro não é necessariamente investir em siderurgia.

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"O mercado brasileiro ignora alguns potenciais, como o da cadeia de fornecedores”. Segundo Ciminelli, na Austrália existe uma associação específica para representar as empresas que investem motivadas pelo setor de minério de ferro, embora sem atuar diretamente na exploração. É, segundo ele, um mercado que só na Austrália movimenta mais de US$ 30 bilhões anuais.

Empresas de alta tecnologia desenvolvem softwares, sistemas de segurança, instrumentos de pesquisa e até estudos avançados em nanotecnologia, por exemplo, e conseguem modernizar um setor considerado primário, que é a exploração e venda in natura de minério de ferro.

De acordo com o representante do Polo, essa prática quebra alguns mitos. “Esse é o conceito de indústria sustentável que queremos trazer para Minas. É um mito achar que indústria sustentável é só a que tem preocupações ambientais e que agregar valor ao minério é investir em siderurgia. Esses são só os conceitos básicos”, considera.

Salários. Segundo o vice-presidente do Metabase, sindicato que representa os trabalhadores de 30 municípios da região de Itabira, Carlos Ferreira, o piso para uma jornada de 6 horas diárias é de R$ 1.030. Na Austrália, segundo o Glassdoor, site que divulga informações salariais de empresas em todo o mundo a partir de informações anônimas dos empregados, a BHP Billiton paga para trabalhadores operacionais das minas cerca de US$ 60 mil dólares por ano, ou cerca de US$ 5.000 por mês. Convertido em real, o salário seria de R$ 7.800. Procuradas, Vale e BHP não falaram.

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TRABALHO
Em comum, reclamação de empregados e greve

Tanto no Brasil quanto na Austrália existe tensão entre os empregados e os empregadores. No mercado australiano, a presença dos sindicatos não é forte e quase 80% dos operários não têm representatividade. Em junho, a BHP Billiton teve de enfrentar a primeira greve em dez anos, promovida por trabalhadores das minas de carvão que a empresa possui na região Nordeste do país. A pressão dos trabalhadores é por aumento salarial.

Em Itabira, segundo o vice-presidente do Metabase, Carlos Ferreira, há risco de paralisação na cidade caso a Vale não atenda a uma reivindicação também por revisão salarial. A intenção do sindicato é propor um piso salarial de R$ 2.293, que é o “salarial ideal” calculado pelo Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese).

A última grande greve na cidade foi em 1989, quando houve adesão de praticamente todos os operários. Hoje, existem 3.400 sindicalizados na cidade. (PG)

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Itabira tenta diminuir dependência do minério


João Izael diz que as reservas da cidade ainda duram 50 anos


Segundo o prefeito de Itabira, João Izael Querino Coelho, as reservas de minério de ferro da cidade ainda vão durar pelo menos 50 anos. Com a evolução da tecnologia de aproveitamento mineral é possível que essa previsão seja revista para cima. O fato não tira a preocupação do líder municipal em diminuir a dependência da cidade de apenas uma atividade econômica.

“Estamos trabalhando para trazer uma faculdade de medicina e transformar a cidade em um polo de saúde da região”, diz com a experiência de quem administrou o município durante a grave crise financeira de 2009, em que mais de 1.500 empregados foram demitidos. Ele lembra que, antes da inauguração da Vale, na década de 1940, a cidade já foi um importante polo têxtil do Estado.

Em Newman, na Austrália, a intenção é incrementar a prestação de serviços e atrair empresas de alta tecnologia que atuem na cadeia produtiva da extração de ferro. (PG)

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Reportagem retirado do site: VITRINE ITABIRA
http://vitrineitabira.com.br/itabira-e-a-australiana-newman-vivem-realidades-diferentes/

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